• Uma nova filosofia de vida
Maurício:
(…) a experiência vivida da prática do Tai Chi me proporcionou a entrada num mundo de aprendizados inéditos, aprendizados que eu chamaria de “lições sobre Unidade”.

 
Sandra:
Passei a (...) mudar minha postura diante dos problemas e dificuldades (... ) tentar manter o meu coração, meus sentimentos e pensamentos serenos.

 
Hebe:
(...) é um sistema de vida que nos ensina a captar da terra, céu, vegetais, toda a energia que este mundo nos oferece.


Tânia:
(...) Hoje ouço coisas do tipo: - É, Tânia, você mudou muito!, ou então: - Nossa, você está mais alta?, ou então: - Você está muito diferente... (...)

 
Francisca:
(...) Começar a fazer Tai Chi ajudou a levantar minha auto-estima. Eu era cabisbaixa, triste, e você me ajudou a superar tudo isso.

 
Silvia:
(...) o Tai Chi, feito consciente e concentradamente, tem despertado em mim uma série de sentimentos (... ) estou me sentindo mais segura, não-comprometida, mais livre...

Quem ama, sente o mundo como seu corpo”.

Procurei o professor Antonio com o objetivo inicial de aprender alguns exercícios de Tai Chi a dois (Tuei Sou) para utilizar em meu trabalho de grupos com pacientes psiquiátricos graves.

No entanto, o contato com a experiência vivida da prática do Tai Chi me proporcionou a entrada num mundo de aprendizados inéditos, aprendizados que eu chamaria de “lições sobre Unidade”.

A primeira unidade, e que perpassa todas as outras, é a unidade mente/corpo. No Tai Chi, o corpo fala símbolos, símbolos retirados do contato com a natureza, ou símbolos de figuras míticas. Céu, Terra, Madeira, Água, grou, tigre, dragão, são palavras que, reunidas de forma poética, enunciam ao mesmo tempo um conteúdo mental (o nome de um exercício) e uma postura corporal: como a Postura do Extremo Vazio, que busca unir espírito, energia e essência através da sua percepção em determinados lugares do corpo.

No Tai Chi não há uma prática “mental” e uma prática “física” — há histórias contadas pelo corpo ou o corpo fazendo poesia.

A segunda unidade vem junto com a primeira: a unidade homem/natureza ou homem/cosmos. As práticas do Tai Chi realizadas ao ar livre são como carícias que fazemos com o corpo, na água, nas árvores, na terra e no ar; ao mesmo tempo recebemos as carícias do vento, da luz, das formas de energia; o corpo é todo uma estrutura ativa (acaricia a natureza — yang), e passiva (recebe a carícia da natureza — yin) de experiência de superação do limite eu/mundo.

Tenho aprendido muito ainda (na prática) sobre a unidade palavra/gesto/natureza. Postura da Árvore: um enunciado em palavras encarnado numa experiência estética (a forma da postura) que busca, na evocação de uma figura da natureza, o reencontro do espírito e da essência (no corpo).

Maurício Garrote, médico psiquiatra, aos 45 anos, em dezembro de 2007



F
aço Tai Chi há 4 anos e meio. Pratiquei, aprendendo uma série de movimentos, alongamentos, mas que não me satisfaziam pois não via neles significado – eram meros exercícios.

Comecei o verdadeiro Tai Chi há quatro anos quando conheci o Tai Chi Pai Lin. Suas formas de exercícios tem significados dentro de uma filosofia taoísta – cada um deles beneficia um órgão; é um sistema de vida que nos ensina a captar da terra, céu, vegetais, toda a energia que este mundo nos oferece.

Há momentos que recorro a eles instantaneamente, como por exemplo, quando tenho cãibras (faço alongamento sentada), região lombar tensa (faço Chi Kung), etc.

Gosto de meditar sempre que posso já que sou também ligada à filosofia (sou professora de filosofia).

Beneficio-me muitíssimo do Tai Chi e o pratico e aprecio com rara satisfação.


Hebe Penteado Laudísio, professora de Filosofia e mãe de família, aos 75 anos, em outubro de 2002






Ser Mestre: tarefa tão difícil, que pede sacrifício incrível! Tarefa que exige abnegação, que é feita com o coração. Chegamos até a nos questionar: – Será Deus que vale a pena ensinar? Mas bem lá dentro responde a voz da nossa alma: – Vale sim, coragem! Você ensinando faz bem a alguém e vai semeando nos seus alunos um pouco de paz e um tanto de Deus.

E eu, professor, estou super feliz, me sentindo muito bem. Começar a fazer Tai Chi ajudou a levantar minha auto-estima. Eu era cabisbaixa, triste, e você me ajudou a superar tudo isso. Graças a Deus você existe. É bom ter você como professor, e como amigo.

Francisca Viana Santos, encarregada da limpeza do Museu do Theatro Municipal, aos 27 anos, em outubro de 2002






Com as aulas estou melhorando minhas condições físicas e mentais. No início do treinamento eu sentia que minhas articulações estalavam, as pernas tremiam.

Hoje, consigo ter mais agilidade, as dores antes eram constantes e eu precisava tomar remédios, agora não tomo mais. Tenho maior consciência corporal externa e interna. Antes eu não percebia e não sabia sobre a importância para a minha saúde que os meus órgãos internos fossem estimulados.

Aos poucos vou tomando consciência da energia que flui dentro do meu corpo e na natureza da qual faço parte.

Passei a dar mais importância para a minha alimentação, e tenho procurado mudar minha postura diante dos problemas e dificuldades do dia-a-dia para que eu possa tentar manter o meu coração, meus sentimentos e pensamentos serenos.

Para mim o professor Antonio passa muito respeito, carinho, conhecimentos e resultados com o treinamento. Isso me estimula a continuar e desperta o meu interesse em melhorar.

Sandra Ap. Cunha, mãe de família, aos 43 anos, em outubro de 2002






Minha experiência com o Tai Chi teve início há aproximadamente três meses; o que, no início, se resumia a 2 aulas semanais de uma hora, logo se transformou num hábito que tem se tornado diário.

Por que ocorreu tal mudança? Porque começou a ficar claro pra mim que os dias com aula eram diferentes dos dias sem aula. Não somente porque nos dias com aula eu acordo às 5:30 da manhã (e eu adoro dormir...), mas porque nos dias sem aula meu bem estar ficava parcialmente comprometido.Nos dias com aula começava mais preparada para não reagir impulsivamente às aporrinhações que estão semeadas no mundo, tinha mais humor, mais paciência e até mesmo uma certa complacência.

Nos dias sem aula o cansaço físico me abatia no meio da tarde, minha tranqüilidade (que agora é um princípio e não um objetivo) oscilava diversas vezes durante o dia, minha coordenação às vezes deixava a desejar, e minha intuição ficava neutralizada.

Além disso foi muito marcante a sensação que tive em uma das aulas, quando percebi claramente a energia subir pelas costas e descer pela frente. Era o treino da Respiração Fetal. Foi aí que resolvi treinar diariamente.

Hoje consigo por em prática os ensinamentos da Técnica Alexander, que pratico há 3 anos. Fui praticar a técnica pra me desfazer de tensões que me impediam de cantar bem. Aprendi o que era "não-fazer", mas só conseguia "não-fazer" em atividades de pouco stress. Não conseguia, por exemplo, cantar "não-fazendo".

Com o treino do Tai Chi ficou claro como não-fazer fazendo, e consegui acoplar e identificar semelhanças entre a Técnica e o Tai Chi. Hoje ouço coisas do tipo: – É, Tânia, você mudou muito!, ou então: – Nossa, você está mais alta?, ou então: – Você está muito diferente... Na verdade continuo a mesma, mas estou mais leve, meu plexo desbloqueado faz meu tórax parecer mais amplo, meus gestos são mais tranqüilos, meus passos mais precisos, e meu olhar menos agressivo.

Tenho um temperamento explosivo, porém hoje é mais difícil me tirar do sério. O meu espírito, quando está recolhido, me protege do meu próprio desequilíbrio. Hoje sei o que significa o termo "ficar nas costas", utilizado na Técnica Alexander, porque consigo deixar o meu espírito como retaguarda para os meus atos. Agora, com o Tai Chi, entendo que o meu espírito é o resguardo do meu olhar para o mundo. Resgatei a disciplina que havia perdido, com todas as desistências geradas por tentativas desastradas de fazer as coisas bem feitas. Parece que é tudo mais simples do que considerava antes.

Pratico diariamente (salvo raras exceções), porque me sinto mais próxima do fato gerador de todas essas buscas: serenidade para cantar bem e tranqüilidade para não desabar quando não conseguir fazer o meu melhor.

Conseqüentemente, me alimento melhor, e vejo minha capacidade física melhorar dia-a-dia. Por isso tenho agora um novo desejo: além de cantar bem, sem sofrer, quero me transformar numa sábia e sossegada senhora centenária.

É este agora meu maior e mais novo objetivo: quero ser uma velhinha legal!

Tânia Viana, Cantora, Coral Lírico, Theatro Municipal, aos 35 anos, em setembro de 2001






Não sei racionalizar o porquê de minha vontade em aprender o Tai Chi. Talvez seja o fato de para mim ser difícil a memorização da linguagem física, e o ciclo de movimentos, feito com significado e consciência, despertou em mim um fascínio e um desafio que venho tentando ultrapassar há muito tempo e nunca o consegui fazer por inteiro. Sempre havia um impasse, e acabei concordando que talvez essa arte não fosse para mim.

Nestes últimos dois meses que venho praticando percebi que o Tai Chi, feito consciente e concentradamente, tem despertado em mim uma série de sentimentos bons e ruins. Os bons, que tento memorizar no meu dia a dia, me reportam a momentos bem distanciados de minha memória e que agora surgem à tona, reforçando, de alguma forma, meu caráter ou maneira de ser. Os ruins são aqueles que vêm acompanhados de mal-estares físicos, e sei que são pontos que estão gritando para serem transformados. Através deste conhecimento, que aos poucos começa a aflorar, estou me sentindo mais segura, não-comprometida, mais livre...

Um dia destes vínhamos, uma colega e eu, atravessando a rua, bem devagar, divagando sobre nossos conceitos etc, quando um fusquinha, bem silenciosamente, aproximou-se de nós, quase encostando o pára-choque em nossas pernas, e de súbito acionou a buzina fortemente. Minha colega pulou assustada, ao passo que eu custei a perceber o que estava acontecendo. Não me perturbou, nem fiquei chateada ou magoada, como se nada tivesse acontecido.

Pensei: é o Tai Chi mostrando seus resultados!

Sílvia Tessuto, cantora, Coral Paulistano, Theatro Municipal, em agosto de 2001